Acordo e a primeira coisa que faço não é pegar no telefone. É sentar-me na beira da cama e respirar três vezes devagar. Sinto o ar entrar pelo nariz, o peito subir e descer. É um gesto pequeno, mas que me lembra que o dia começa comigo, não com o mundo lá fora.
Depois levanto-me e vou até a janela da cozinha. Abro a cortina e olho para o jardim pequeno dos vizinhos. No inverno é cinzento e nu. Na primavera começa a verdejar. Observo sem pressa. Não procuro nada específico. Apenas vejo.
“O dia não precisa de ser produtivo para ser bom. Precisa apenas de ser vivido com atenção.”
O café como ritual, não como combustível
Preparo o café com mais cuidado do que antigamente. Moio os grãos manualmente, aquecendo a água na temperatura certa. Enquanto espero, não faço mais nada. Apenas fico ali, a ouvir o som da água a ferver e o cheiro a subir. Quando está pronto, sirvo numa caneca que gosto e sento-me à mesa.
Bebo devagar. Sinto o calor nas mãos, o sabor na boca. Não leio notícias, não vejo e-mails. Este é o meu momento de ancoragem antes de o dia começar a correr.
Três palavras que mudam o tom
Antes de sair de casa, escrevo três palavras num pequeno caderno que levo sempre comigo. Não são tarefas. São sentimentos ou observações. Hoje escrevi: “calma”, “luz da manhã”, “cheiro a pão”. Parece simples. Mas quando o dia fica agitado, volto a estas palavras e lembro-me do que realmente importa.
Os meus gestos de ancoragem favoritos:
- • Respirar três vezes antes de começar qualquer coisa
- • Preparar o café ou chá sem fazer mais nada ao mesmo tempo
- • Olhar pela janela por pelo menos dois minutos
- • Escrever três palavras sobre como me sinto agora
- • Não pegar no telefone nos primeiros 30 minutos do dia
O silêncio que preenche
Depois do café, fico alguns minutos em silêncio. Não meditação formal. Apenas silêncio. Deixo os pensamentos passarem. Alguns são sobre o que preciso fazer. A maioria é sobre coisas pequenas: o pássaro no telhado, o vento na janela, o calor da caneca nas mãos.
Quando o silêncio termina, levanto-me e começo o dia. Mas algo já mudou. Não entro no dia a correr. Entro depois de me ter encontrado primeiro.